(Sem título)
30.1.12 / 8:33 PM
Você descobre o amor quando a distância traz consigo a saudade. E no reencontro, as pernas bambeiam assim como no primeiro beijo. Segundo um amigo, não se prendem pássaros nem corações. O importante não é estar ao lado, mas do lado de dentro.
Cobranças
25.1.12 / 5:51 PM
Existe uma razão cósmica pra todos os irônicos acontecimentos do dia-a-dia, seja ela compreensível ou não. Surgem, naturalmente, questionamentos acerca de inúmeros aspectos, se as atitudes tomadas foram sujas, inescrupulosas, os pensamentos, negros, depreciativos. Mas eu acredito em karma, pendências de passagens passadas. É tão mais fácil acreditar que vive-se uma vida plácia e imaculada, culpando o cosmos por todas as intempéries.
Outro aspecto: as aparências. Vive-se cada vez mais para o prazer alheio. Deixar-se influenciar pela opinião de um desconhecido? Basear o quociente de felicidade do subconsciente em extravagâncias? Desde quando o alheio se torna tão responsável pela tua própria substância? Viver para os outros, em função de uma figura, reduz o ser a uma cifra, a um vulto. Disforme, inconstante, obscuro. Um cadáver.
Viver é uma falácia. Mas eu acredito em karma.
Resiliência
13.1.12 / 11:38 PM
Um abismo que consome, um abismo intransponível, infinito, negro. Sem previsão de salvamento, sucumbem-se em desalento as últimas e resilientes esperanças. O céu se desmancha em tonalidades de cinza e o mar rebenta sua mágoa na ressaca. O núcleo perde calor, lhe secaram os interstícios de escape. O magma dos mortais, sísmico e ávido, já não mais regojiza em fogos de artifício.
Murcha-se ao invés de desabrochar.
Adeus, 2011
31.12.11 / 12:09 AM
É impossível descrever um ano completo, pois por muito se passa e há memórias que se perdem. E é igualmente impossível julgar se foi melhor ou pior que o anterior como um todo. Intervenções pontuais parecem mais apetitosas e frescas à memória, por isso tem-se a sensação de vantagem de um sobre o outro. E por mais pastelão que possa soar, Ano Novo é tempo de vida nova.
Traçar metas concretas, repensar nas prioridades, reavaliar a existência. Projetar as esperanças (e frustrações) aos novos tempos. Crescer como pessoa, evoluir. Fazer mais pelos outros sem pedir nada em troca. Tornar-se alguém melhor, menos egoísta, menos estressado, menos estapafúrdio. Ser gentil, amável, alegre, dedicado, persistente, positivo. Odiar menos, amar mais. Amar muito mais. Cuidar de si, cuidar dos amigos, cuidar de quem se ama. Aproveitar cada segundo de uma boa companhia. Não economizar sorrisos e risadas. Não julgar sem conhecer, não consumir a mente com idéias e pensamentos proibitivos. Visitar o mar mais vezes, adimirar o céu estrelado mais vezes, curtir o cheirinho da grama recém aparada mais vezes. Arriscar. Encontrar um amor eterno mesmo que dure só até a próxima estação. Se permitir ser feliz, acima de tudo.
Último dia do ano… Tem como não ficar saudosista?
Reviravoltas
23.12.11 / 5:43 PM
—
não tenho feito nada de relevante
fico em casa a ler, às vezes saio com amigos, vou à academia
minha cabeça precisa estar ocupada
porque cá ela ficou
e meu coração tá ai contigo (foi sequestrado).
a distância perturba, maltrata, judia.
mas o importante—
o importante não é estar ao lado, mas do lado de dentro.
o coração foi-se
a cabeça permaneceu
mergulhada nas memorias de ti
angustiada e estupefata
com uma única certeza:
a do nosso reencontro.
(e é isso que a conforta, probrezinha!)
Inquietos
4.12.11 / 1:19 AM
As consequências do amor na vida de alguém são como a refração da luz branca através de um prisma: um raio que se transfigura em sete, um sentimento que se reparte e devassa barreiras físicas e emocionais por todo o oceano interno de um ser.
Descrente era eu ao pensar em minha mera passagem pelo mundo. E, depois que descobri onde se escondia minha felicidade verdadeira — simples e plena —, encaro todas as questões que em mim orbitam de uma forma tão mais prática e consensual. O despertar da verdadeira honestidade para comigo mesmo. O fim da tempestade. As pequenices são capazes de me estampar um sorriso eterno ao rosto. As pequenices roubam-me o tempo, a lucidez neurótica e esquisofrênica, as preocupações. As pequenices trazem de volta o meu gozo em viver.
Sou como o pássaro que, ao anoitecer, pensa estar encaminhando-se à morte e desespera-se, mas ao acordar, no dia seguinte, sente o frescor da vida novamente dentro de seu corpo miúdo e põe-se a gorjear uma bela e saudosa canção de ode ao sol. Penso e repenso, o coração bate mais forte, as bochechas enrubrecem. Culpa daqueles olhos, verdes e hipnóticos, de azeitona, empalhados acima do nariz com sardas.
21
15.11.11 / 2:02 AM
A chegada de um novo ciclo. Mais esclarecedor, mais professor, mais definitivo. Com o pé direito, para afastar os maus agouros e trazer vigor, energia. Adiciona-se à perspicácia, à impavidez, à primazia.
Apaguei minhas velas. Dois e um brancos, decorados com uma borda azul. Ah, e uma gravatinha borboleta! Prefiro tortas a bolos; apaguei minhas velas sobre tortas e não sobre bolos. Fiz um pedido único e verdadeiro: que esse novo ciclo seja infinitamente melhor que o anterior e infinitamente pior que o seguinte. Tem de ser assim, a vida tem de proporcionar experiências mais e mais extraordinárias ano a ano, superando o passado e desvelando as vias ao imprevisto, ao obscuro futuro.
De nada posso reclamar. O saldo dos altos e baixos é sempre positivo. A chegada do novo ciclo foi distinta e inigualável. Melhor que a anterior e potencialmente inferior à sucessora. Tem de ser assim, é a ordem natural dos fatos. Gosto — e muito.
Vinte-e-um… doces vinte-e-um...
Autoexplicativo
14.10.11 / 12:56 AM
Duas palavras: inferno astral.
Levarei minhas obrigações com tranquilidade, pois não quero envelhecer dois anos ao invés de um no mês que vem. É hora de amadurecer as preocupações, rearranjar as prioridades, descartar certos comportamentos. Tranformar-se n'algo melhor, evoluir. Na verdade, não gosto nem desgosto. Faz-se necessário e professor. Auto-análise. Tempo de aprender a se ler, se decifrar, se desmistificar. Mais um período está prestes a se concluir. A idade me faz bem, sinto-me mais observador, mais lúcido, mais crítico.
Assusta, de qualquer modo, pensar nos vinte-e-um — mas logo passa.
Fado
13.9.11 / 3:27 PM
Ao nascimento, todas as proposições consolidam-se, não existe escapatória. A vida é sentenciada e o prazo de validade põe-se a vigorar. Inicia-se, assim, a contagem regressiva da existência. Tudo está fadado ao fim, à
putrefação, ao pó — feliz ou infelizmente. E esse breve lapso de tempo faz-se
indecifrável. Os dias correm esbaforidos sem que se saiba o quão rápido a morte se aproxima.
A mera e breve passagem mundana deve ser demarcada com afinco pelas amizades verdadeiras e pelas pessoas que com você se importam. Como diria um amigo de longo prazo, "saber separar o joio do trigo". Saber escolher aqueles que merecem herdar o amor, o apreço, a consideração de um
relacionamento genuinamente honesto. Escolher as companhias a dedo,
selecionar. Não se deixar influenciar e bater o pé. Sacrificar-se na medida do
cabível, do adequado, sem exageros, sem cobranças, sem
xurumelas. Aceitar ao invés de tentar modificar, adaptar-se e não tentar remodelar.
Com o tempo, os atritos saudáveis fazem com que as arestas se desgastem e as peças se encaixem. As diferenças vêm para o bem e os problemas se resolvem. Aprovação. Laços de família, indeléveis,
inexpugnáveis. Como o mar, brilhante e fascinante, que hipnotiza e que pacifica.
As areias do destino, todavia, podem, ao invés de conformar, descortinar a verdade. Uma suposta amizade de pederneira, que gera faíscas e, assim, o fogo. Incendeiam-se as expectativas, a esperança, as boas lembranças. Ardem em chamas as semelhanças, os gestos, as palavras. Os últimos fragmentos de algo cegamente denominado eterno ardem em brasa e terminam em cinzas. Pulverizadas, largadas, como palavras ao vento, ditas a nenhum ouvinte, perdidas, desacreditadas, desiludidas.
Há males que vêm para o bem.
Descolagem
27.8.11 / 11:26 PM
Perder um amigo é brutal. Tê-lo arrancado da sua vida, sem questionamentos ou partidas, como se um pedaço de si fosse levado junto para debaixo da terra. Sofrimento do tipo que não se deseja a ninguém. Como um baque, que atordoa e desorienta, que estremece, que suga a realidade e a mistura com os medos mais sinceros do coração. Faziam parte do cotidiano os planos e as gargalhadas. Delas, sobram as migalhas, as memórias de um tempo que não volta, as recordações que retorcem os sentimentos numa confluência de alegria e desespero. Despede-se sem pensar que o outro possa desaparecer. Despede-se com a esperança inconsciente do reencontro. Perder um amigo é brutal e dói. Os pensamentos se afogam em culpa, o mundo cessa suas rotações. E, assim, o céu ganha mais uma estrela. Amada, querida, desejada — e brilhante.
Descanse em paz.